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20 DE NOVEMBRO

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AFRO-GAÚCHOS/AS

Imagem do Curso na Plataforma Lúmina/UFRGS

UFRGS e Unipampa lançam curso EaD sobre o poeta gaúcho Oliveira Silveira

Vida, obra e consciência negra serão temas dos módulos

 

Por Sátira Machado, jornalista

Em alusão ao 10 anos de morte de Oliveira Silveira, no dia 12 de novembro de 2019,  será lançado o curso “Oliveira Silveira: o poeta da consciência negra brasileira”, a partir das 18 horas, na Sala II do Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.
 

O curso será ofertado na modalidade de educação a distância (EaD) na Plataforma Lúmina (https://lumina.ufrgs.br/), com acesso gratuito a qualquer público, sem pré-requisitos e sem limite de vaga, bastando inscrever-se. Depois do lançamento do curso, estarão disponíveis as videoaulas, os materiais de apoio e as atividades para alunos e alunas logados/as, que poderão estudar de forma auto instrutiva conforme sua disponibilidade, já que o curso não tem restrições para o término. Quem concluir o curso, realizando todas as atividades, receberá um certificado padrão da UFRGS, de 30 horas.
 

Em três módulos online, de forma introdutória, estudantes irão saber mais sobre a vida, a obra e a consciência negra desse escritor afro-gaúcho. Nos extras, amigos e amigas de Oliveira deram depoimentos. O curso foi desenvolvido pelas professoras universitárias Sátira Machado, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e Maria da Graça Gomes Paiva, professora aposentada pela UFRGS, com a Secretaria de Educação a Distância (SEaD) da UFRGS e com o Polo Jaguarão da Diretoria de Educação a Distância (DEaD) da Unipampa.
 

Sobre Oliveira Silveira
 

Egresso da UFRGS, Oliveira Silveira (1941-2009) graduou-se professor de Português-Francês e suas respectivas literaturas, em 1965. Foi um dos idealizadores do primeiro ato evocativo ao 20 de novembro, em homenagem a Zumbi, na celebração realizada pelo “Grupo Palmares” em 1971, em Porto Alegre. Sua obra vem ganhando destaque nas literaturas gaúcha, sul-rio-grandense e brasileira, principalmente pelo resgate das culturas negras nas artes literárias. A professora Zila Bernd, autora do livro “Negritude e Literatura na América Latina”, destaca que “a cultura afro vai fazendo um trançado com a cultura gaúcha” na obra de Oliveira, ao valorizar “aspectos pouco conhecidos da história do negro no Rio Grande do Sul”.

Saiba mais no site oficial: www.oliveirasilveria.com.br

 

Sobre o Curso EaD
 

O curso “Oliveira Silveira: o poeta da consciência negra brasileira” tem como base a plataforma Moodle e o formato MOOC (Massive Open Online Course) por ser aberto, oferecido em larga escala, e ter a possibilidade de auto-organização dos estudos por parte de estudantes, podendo até ser acessado através de smartphones.
 

É uma promoção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), com execução do NAPEAD - Produção Multimídia para a Educação da Secretaria de Educação a Distância (SEaD) da UFRGS e do Polo Jaguarão da Diretoria de Educação a Distância (DEaD) da Unipampa.
 

Foi realizado em parceria com os cursos de Produção e Política Cultural e Licenciatura em Letras-Português EaD da Unipampa; o Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRGS; e a Associação Negra de Cultura – AndC, uma entidade criada por Oliveira Silveira.
 

Tem o apoio da Coordenadoria de Ações Afirmativas (CAF) e do Fórum dos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabis) da Unipampa e da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS, por meio do Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (Deds), do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros, Indígenas e Africanos (Neab) e do Salão de Atos, bem como, da Coordenadoria de Acompanhamento do Programa de Ações Afirmativas (CAF) da UFRGS.

 

Sobre o Lançamento do Curso
 

O lançamento será realizado no dia 12/11 (terça),  a partir das 18 horas, na Sala II do Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre/RS/Brasil.
 

No saguão do Salão de Atos da UFRGS, além da filha única de Oliveira Silveira - Naiara - declamar poemas do pai; apoiadores/as como a Biblioteca Pública do RS; Estilo Afro; Pimenta Mimosa; Chocolah; Artelier-by Ieda Ferreira; Maraia's- Boneca de Pano; Afrodite; Kynutryzzy, entre outros/as estarão realizando exposições para divulgar as culturas negras.
 

Será transmitido pela Rede Multivideos no site da UFRGS (https://aovivo.ufrgs.br/redemultivideos/), com acompanhamento de estudantes da Universidade Pedagógica de Moçambique e da Universidade do Texas dos Estados Unidos.

 

SERVIÇO - LANÇAMENTO
 

O Quê: Lançamento do curso “Oliveira Silveira: o poeta da consciência negra brasileira”

Onde: Sala II do Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre/RS/Brasil

Quando: Dia 12 de novembro, terça-feira, a partir das 18 horas

Quanto: Entrada franca

Informações: memorialoliveirasilveira@gmail.com

 

SERVIÇO - CURSO
 

Nome: Curso básico EaD “Oliveira Silveira: o poeta da consciência negra brasileira”
 

Módulos
 

Módulo 1 – Oliveira Silveira: de Rosário do Sul à Porto Alegre – 10 horas

Módulo 2 – Oliveira Silveira: de comunicador a poeta – 10 horas

Módulo 3 – Oliveira Silveira: do 13 de maio ao 20 de novembro – 10 horas
 

Local: Plataforma Lúmina da UFRGS (https://lumina.ufrgs.br/)
 

Período: Disponível após o lançamento em 12/11/2019, por tempo indeterminado
 

Carga Horária: 30 horas
 

Área: Ciências Humanas e Artes/Literatura
 

Inscrições: a qualquer tempo, na Plataforma Lúmina
 

Quanto: Gratuito
 

Pré-requisitos: qualquer público com acesso à Internet
 

Vagas: ilimitadas
 

Certificação: sim

 
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Dez anos sem Oliveira Silveira: o poeta da Consciência Negra
Falecido em 2009, ele idealizou o feriado da Consciência Negra em homenagem à morte de Zumbi dos Palmares.
por Bruno Teixeira 

No primeiro dia deste ano, a família do professor, ativista e poeta Oliveira Silveira lembrou os dez anos de sua morte, em janeiro de 2009. Um dos grandes nomes do movimento negro brasileiro, ele idealizou a campanha que instituiu o feriado da Consciência Negra, lembrado todo dia 20 de novembro no país, ainda na década de 1970.
 

Silveira, acompanhado de outros ativistas, como Vilmar Nunes, Ilmo da Silva e Antônio Carlos Côrtes, questionavam a data em que os negros no Brasil se reconheciam até então: o 13 de maio, dia em que a princesa Isabel teria assinado a abolição da escravatura no país, em 1888. Para eles, o verdadeiro dia do orgulho negro no Brasil deveria ser o da morte de Zumbi do Palmares, em 20 de novembro de 1695.
 

O grupo passou a organizar reuniões em uma casa na esquina da Rua dos Andradas e a Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em que discutiam sobre o legado do Quilombo dos Palmares, onde Zumbi viveu a maior parte de sua vida no século XVII. Dali nasceu o Grupo Palmares, que existe até hoje e atua em várias frentes relacionadas ao movimento negro. “Depois dessas duas reuniões, na casa do Oliveira, e depois na casa dos meus pais na rua dos Andradas, o ato mais aberto foi no clube náutico Marcílio Dias, onde fizemos um breve excurso histórico de tudo aquilo, onde participaram cerca de 20 pessoas. Ali houve a materialização do Grupo Palmares”, contou Côrtes ao jornal Zero Hora.
 

“Estávamos insatisfeitos com o 13 de maio. Havia um grupo de negros que se reunia na Rua da Praia [no centro de Porto Alegre] e o nosso assunto, invariavelmente, era a questão negra e o fato de o 13 de maio não ter maior significação para nós. Logo, surgiu a idéia de que era preciso encontrar outra data. Eu, como gostava de pesquisar, aprofundei-me nisso. E encontrei material, cuja fonte era Édison Carneiro, autor do livro O Quilombo dos Palmares, indicando que Zumbi dos Palmares havia sido morto em 20 de novembro [de 1695]. Essa informação foi confirmada no livro As guerras dos Palmares, do português Ernesto Ennes, no qual foram transcritos documentos. Já que não sabíamos o dia de seu nascimento ou do início de Palmares, tínhamos pelo menos a data da morte de Zumbi, o último rei do quilombo de Palmares, Alagoas. Então, promovemos uma reunião, que originou o Grupo Cultural Palmares, cuja idéia era fazer um trabalho para reverenciar Palmares e Zumbi como algo mais representativo que 13 de maio”, contou o próprio Oliveira à Agência Brasil, em 2008.
 

Segundo seus biógrafos, Silveira se preocupava especialmente com a situação dos negros no Sul do país, local onde até hoje há relatos de racismo. Natural da cidade de Touro do Passo, em Rosário do Sul, a 430 km de Porto Alegre, ele se dedicava a escrever poemas sobre como viviam os afrodescendentes na região. Ex-integrante do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ele é autor de Capítulo 20 de novembro, história e conteúdo, Educação e Ações Afirmativas: entre a Injustiça Simbólica e a Injustiça Social, organizado pelos professores Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e Valter Roberto Silvério, da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo.
 

“Esse traço gaudério na poesia dele, no aspecto positivo. Quem fala isso é o Oswaldo de Camargo na introdução do penúltimo livro do Oliveira Silveira. Ele fala na poesia afrogaúcha do Oliveira Silveira. Acho que isso é inegável, mas acho que o regionalismo na poesia dele é análogo ao regionalismo nordestino na poesia do João Cabral de Melo Neto. Em ambos os poetas, esses traços aparecem, mas não a ponto de ser um regionalismo fechado”, disse Ronaldo Augusto, poeta e amigo de Silveira, ao Zero Hora. Augusto organizou recentemente a antologia da obra de Oliveira Silveira. "Oliveira é um poeta, como diz Osvaldo de Camargo, que inaugura uma vertente afrogaúcha, mas ele não se relaciona com ela de modo pacífico. Ele é crítico, não embarca no ‘sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra’. Claro, ele é crítico em relação à história do Rio Grande do Sul com a população negra”, completou.
 

No entanto, a situação do negro no Brasil também era fonte de suas pesquisas, como afirmou à Agência Brasil um ano antes de sua morte. “A democracia racial é um mito trabalhado especialmente em função dessa política de branqueamento, que nunca foi revogada. A miscigenação é apresentada como uma coisa positiva, mas, na verdade, não é. No Brasil, existe preconceito, discriminação na prática, existe racismo. É um país reconhecidamente racista. Isso é oficialmente reconhecido. Eu acredito que o racismo não é uma coisa que desapareça, que possa ser eliminado. Ele pode se aquietar, mas lá pelas tantas está vivo, forte e atuante”.
 

Apesar da data dos seus poemas, todos os temas tratados por Oliveira Silveira são extremamente atuais e frequentemente discutidos, até hoje, por alunos de comunicação, estudantes de faculdades de direito e outras áreas de comportamento humano em todo país, de forma a inibir e reduzir ao máximo a prática do preconceito racial.

FONTE: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/livros/noticia/2019/01/dez-anos-sem-oliveira-silveira-o-poeta-da-consciencia-negra-cjqshnml000no01ukcxuajeta.html

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