OBRA REUNIDA 

Obra de Oliveira Silveira é reunida por Ronald Augusto 
 
por Sátira Machado   

 

Em 2012, o poeta gaúcho Ronald Augusto (re)organizou  os doze livros e outros escritos de Oliveira Silveira no livro “Obra Reunida: Oliveira Silveira”, lançado pela Secretaria da Cultura do RS, na gestão do escritor gaúcho Assis Brasil. Confira as informações completas nas divulgações, a seguir:   

 

 

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Secretaria da Cultura e Corag lançam Obra Reunida de Oliveira Silveira
 
por Maria Emilia Portella 

A Obra Reunida do poeta, jornalista e ativista do movimento negro, Oliveira Silveira, foi apresentada na noite dessa terça-feira (09), na sede do Instituto Estadual do Livro (IEL). Com organização de Ronald Augusto, a obra é uma realização da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), em parceria com a Companhia Rio-Grandense de Artes Gráficas (Corag) e executada pelo IEL. 

O titular da Sedac, Assis Brasil, agradeceu e destacou a parceria com a Corag que se repete em todo o plano editorial do IEL. “O governador Tarso Genro sempre ressaltou a transversalidade e de fato isto está acontecendo, trabalhamos juntos. Por isto quem lança esta obra é o Governo do Estado”. Em seguida elogiou o trabalho realizado por Ronald Augusto na organização do livro e falou sobre a importância de Oliveira Silveira. “ Em seu olhar brilhava uma luz branda, mas sua poesia era turbulência pura. Entendemos a cultura como ensejadora de inclusão social, e o governo cumpre seu dever perante a comunidade ao editar esta obra que significa a suma autoral de um poeta que merece ser lido e recuperado”, finalizou. 

A diretora-presidente da Corag, Vera Oliveira, leu um dos poemas do autor e elogiou também o trabalho de Ronald Augusto. “ A Corag se sente imensamente honrada em ter participado da edição desta obra. Faz parte da nossa meta, da nossa finalidade, ter este olhar, esta participação e esta colaboração neste caminho que é do livro, da literatura e da cultura”, disse.  

Já a diretora do Instituto Estadual do Livro, Laís Chaffe, também leu um dos poemas de Oliveira Silveira e comentou o plano de edições do IEL. “Nada disso acontece de forma isolada, tudo faz parte de uma política cultural. Dentro dessa política se insere esta obra. Existe um esforço grande, muito trabalho, mas acima de tudo, todos os envolvidos neste projeto são muito apaixonados, por isso as coisas estão acontecendo. Como diz um dos poemas de Oliveira todos renascemos, ao lançar esta obra estamos renascendo um pouco”. 

O organizador da Obra Reunida, Ronald Augusto, agradeceu a confiança de disponibilidade da filha do escritor em ceder o acervo para que o trabalho fosse realizado da forma mais ampla possível e a inclusão de alguns poemas inéditos. “É um primeiro passo, muito importante para tornar Oliveira reconhecido em outros universos, tem muita coisa para a gente estudar e debater. A obra de Oliveira é uma obra em movimento, está viva ainda”, completou. 

A filha do escritor, Naiara Oliveira, agradeceu bastante emocionada e ressaltou a confiança no trabalho desenvolvido por Ronald Augusto sobre o legado de seu pai. 

A Obra Reunida de Oliveira Silveira terá sessão de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre no dia 31 de outubro e lançamento oficial na Semana da Consciência Negra, em novembro. O Plano de Edições do IEL prevê ainda para 2012 a edição da Obra Reunida de Vera Karam e mais 10 títulos da série Originais. 

Oliveira Silveira  
Poeta brasileiro nascido na área rural de Rosário do Sul (1941-2009). Graduado em Letras – Português e Francês pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi, além de professor, jornalista e ativista do Movimento Negro – um dos criadores do Grupo Palmares, de Porto Alegre. Foi Oliveira quem sugeriu a data de 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra, implantado em 1978. 

Ronald Augusto 
Gaúcho de Rio Grande, é crítico de poesia, editor, músico e letrista. É poeta experimental, inicialmente ligado à poesia marginal, notabilizado por seus estudos sobre literatura negra. 

Fonte: https://estado.rs.gov.br/secretaria-da-cultura-e-corag-lancam-obra-reunida-de-oliveira-silveira 

 

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Oliveira Silveira – Obra Reunida 

por Ronald Augusto 

Publicado em: fevereiro 11, 2013 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Dilvulgação 

Comemorando um arco de quase cinquenta anos de atividade poética do autor, pois Germinou, livro de estreia de Oliveira Silveira, surge em 1962, o Instituto Estadual do Livro (RS) publicou, no final de 2012, o livro Oliveira Silveira – Obra Reunida. Organizada e prefaciada por mim, a presente reunião completa (o quanto possível), ao menos no que toca aos seus livros de poesia publicados, se reveste de fundamental importância. 

A obra, ao enfeixar onze livros que tiveram tiragens reduzidíssimas, quase artesanais, vem preencher uma lacuna de pesquisa bibliográfica e de fruição estética relativas a um percurso textual que, ao longo das últimas décadas, tem sido objeto de interesse tanto de escritores, críticos e professores universitários do Brasil e do exterior, quanto de jovens poetas e leitores interessados em aprofundar seu conhecimento na linguagem de Oliveira Silveira. Essa reunião servirá também para estabelecer comparativos estéticos com os experimentos de linguagem ainda inéditos levados a efeito pelo autor e que pesquisas e estudos futuros devem trazer à luz. 

Oliveira Silveira – Obra Reunida tem duas partes. Na primeira, em ordem contrária à cronológica, agrupamos os onze livros de Oliveira Silveira, do último, Bandone do Caverá (2008), até o primeiro, Germinou (1962). A escolha por esse modo de apresentação se justifica, entre outros motivos, por identificarmos em Oliveira uma disposição para a renovação da sua linguagem, no sentido em que o poeta entendia a sua obra como algo em processo, e por essa razão se mantinha em permanente estado de revisão e reformulação de seus poemas, fossem inéditos ou já publicados. Bandone do caverá é o nó entre o recente e o remoto na poesia de Oliveira Silveira. Na segunda parte, um pequeno acervo de textos dá conta de esboçar a figura do jovem poeta em formação (final da década de 1950), e, ao mesmo tempo, aproximá-lo do poeta já consumado, experimentando outros aspectos da tarefa poética, é o caso da tradução parcial ou em progresso do Cahier d’un retour au pays natal de Aimé Césaire, empreendida por Oliveira Silveira (meados da década de 1970) que publicamos, e de um metapoema, de forte traço irônico, escrito nos anos de 1990. 

Na apresentação de Oliveira Silveira – Obra Reunida procuramos projetar o grande poeta sobre a figura do decisivo intelectual e militante negro. Pois entendemos que a poesia se constitui como um tipo de linguagem que não é nem “verdade” nem “mentira”, senão que tem um estatuto próprio. Portanto, se for preciso, mesmo que provisoriamente, encaixar Oliveira Silveira na moldura do poeta participante, ele só o será, no nosso entender, segundo a acepção que Mario Faustino (1930-1962) empresta ao qualificativo, a saber, seu apetite de linguagem será “participante como a poesia deve ser participante, i. é., em todos os sentidos: cultural, social, existencial, político, estético. Participação nos destinos do homem e nos destinos da poesia”. 

O autor empírico[1] Oliveira Silveira (1941-2009) nasceu em Touro Passo (RS). De sua persona civil pode-se dizer que se graduou em Letras — Português e Francês com as respectivas Literaturas — pela UFRGS. Foi poeta, ensaísta, músico e ativista do Movimento Negro. Estudou a data e sugeriu a evocação do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra, lançada e implantada no Brasil pelo Grupo Palmares, a contar de 1971. Publicou, entre outros, Germinou, 1968; Banzo, Saudade Negra, 1970; Pêlo Escuro, 1977; Roteiro dos Tantãs, 1981; Anotações à Margem, 1994; Bandone do Caverá, 2009. Todos os livros que publicou (sempre às suas expensas) foram de poesia. Alguns dos seus poemas também foram traduzidos, entre outras línguas, para o inglês e o alemão, e essas traduções apareceram respectivamente na revista Callaloo, The Johns Hopkins University Press (1995), e na antologia Schwarze Poesie, Edition Diá, 1988. Entre os anos de 2004/06, foi conselheiro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Neco Varella/Divulgação 

A poesia de Oliveira Silveira se nutre de uma salutar desconfiança a propósito do poder de comunicação da metáfora. A metaforização enquanto diluição perdulária, maneirismo: “Longo e longo desenrolar de imagens, como se o poeta tentasse recriar a coisa dando-lhe mais e mais nomes, num processo mágico fetichizante” (Mário Faustino dixit). Esse traço de linguagem nos ajuda a demonstrar como Oliveira Silveira tinha consciência de que a naturalização da metáfora, sua precedência, por assim dizer, sobre outros elementos da função estética da linguagem encobre um barateamento expressivo, mesclado a uma afetação kitsch a serviço da mundanização da figura do poeta, e de sua inserção filistina nos quadros de um sistema literário cada vez mais chapa-branca. Felizmente, imbricada em sua poesia elegante há a dose essencial de antipoesia. 

Os poemas de Oliveira Silveira continuam, portanto, críticos e, a cada dia que passa, à medida que o leitor os vai recorrendo, parecem menos e menos alambicados. Desferem um desaforo calmo aos medianeiros da metaforização indecorosa. Os versos de sua linguagem produzem uma estranha delicadeza que vela maliciosamente o cacto “áspero, intratável e forte”. 

O percurso poético presente em Oliveira Silveira – Obra Reunida projeta o sentido do poema do autor como uma fatura sígnica cuja existência não pode se justificar apenas para servir às necessidades de certas interpretações, por mais bem intencionadas que elas sejam. 

 

 

[1] Refiro-me aqui ao conceito de Umberto Eco segundo o qual o autor empírico indica o sujeito civil escritor, com nome e identidade, cujos dados biográficos às vezes são usados como meio de acesso aos significados de sua obra. 

Editoria: Colunas, Ronald Augusto

Palavras-chave: Bandone do Caverá, literatura, Oliveira Silveira, poesia, Roteiro dos Tantãs 

Fonte: https://www.sul21.com.br/colunas/2013/02/oliveira-silveira-obra-reunida/

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